quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Funcionamento das estatinas e seus efeitos colaterais


A estatina é o remédio mais utilizado por pacientes que possuem colesterol alto. Esses remédios, basicamente, diminuem os níveis de colesterol, além de aumentar o de HDL e diminuir o de triglicerídeos. A pergunta é, como elas fazem isso? O corpo utiliza uma enzima chamada HMG-CoA redutase para produzir o colesterol (não é ela que produz diretamente, mas ela está presente na cadeia de reações que produzem o colesterol), e a ação da estatina é de inibir essa enzima. Com isso, a estatina impede que colesterol seja produzido, baixando os níveis do mesmo no sangue. Existem várias estatinas, como por exemplo a Lovastatina, Fluvastatina e a Atorvastatina. A Atorvastatina se tornou, em 2003, o fármaco mais vendido da história, gerando 12,4 bilhões de doláres nas suas vendas, segundo o fabricante.

                           Mecanismo de produção de colesterol 


Atorvastatina (Lipitor, no comércio)


As estatinas, porém, contêm uma lista extensa de efeitos colaterias que ela pode provocar na pessoa, como por exemplo:
- Rachaduras na pele

- Sonolência e tonturas

- Disfunção sexual

- Formigamento nas extremidades dos membros (pés e 
mãos)

- Miopatias e miosites, sendo os dois efeitos colaterais mais perigosos das estatinas, mas a incidência é rara, sendo menos rara em pessoas com mais de 65 anos e que tomam altas doses do remédio. Para tratar essas miopatias, são receitados remédios para repor a Coenzima Q10 (ubiquinona), pois as estatinas diminuem seus níveis, mas não existem muitas evidências de sua eficácia.

Através de estudos, foram constatados que, para compensar a diminuição da síntese de colesterois, hepatócitos começaram a produzir mais receptores de LDL. Isso faz com que o alto número de receptores absorva mais LDL e VLDL do sangue, fazendo com que seus níveis circulantes diminua e o que foi absorvido seja liberado nos sais bileares.

Até a próxima leitores,

Post feito por: Eduardo Pimenta

Referências:

 A bioquímica no tratamento do AVC:


    Estudos têm revelado a atuação de novas drogas anti-coagulantes no tratamento do AVC. A mais conhecida atualmente é a dabigatran (PRADAXA- Boehringer Ingelheim), que atua como inibidor direto da trombina (proteína coagulante que polimeriza fibrinogênio em fibrina).
    Sabe-se que o coágulo pode ser resultante do rompimento de uma placa aterosclerótica, podendo provocar  a formação de um trombo bloqueando a artéria. O uso de anti-coagulantes pode, portanto, ajudar no tratamento de acidentes vasculares. 
     Algumas pesquisas realizadas recentemente nos EUA, Israel e Espanha investigam o glutamato como substância que dificulta a recuperação de pessoas que tiveram um acidente vascular cerebral. O glutamato, também conhecido como ácido glutâmico é um aminoácido não essencial de propriedades ácidas, representado pela fórmula química C5H9NO4. É encontrado em diversos alimentos como feijão, soja e lentilha e está envolvido na síntese de carboidratos e ácidos graxos. Atua como precursor de diversos aminoácidos e participa da formação de metabólitos importantes no organismo, como ácido pirúvico e oxaloacetato provenientes da respiração. O glutamato é também o mais importante neurotransmissor no sistema nervoso de mamíferos. Por isso é possível relacionar a concentração de ácido glutâmico no cérebro a muitos distúrbios mentais, entre eles Alzheimer e doença de Chacot.
     As pesquisas têm indicado a grande relação entre altas concentrações de glutamato no cérebro e a dificuldade de recuperação em casos de AVC. ''A elevação do seu nível sobrecarrega os neurônios, contribuindo para sua morte'', explica Thomas Carmichael, da Universidade da Califórnia. A pesquisadora Angela Ruban, do Instituto Wizmann, de Israel, respondeu à revista ''ISTO É'' em matéria sobre o AVC, ''Ainda não temos as respostas definitivas sobre por que isso acontece, mas diminuir o glutamato tem efeito neuroprotetor''.
      

Fórmula estrutural do glutamato





Fontes:



Artrite Reumatoide e Aterosclerose

     A artrite reumatoide se trata de uma doença sistêmica causada por uma inflamação em articulações e que pode afetar a capacidade funcional dos acometidos.
    Estudos feitos em 2001 apontaram certos riscos cardiovasculares - entre eles a aterosclerose -, em pacientes que apresentavam o diagnóstico de artrite reumatoide, e que esta pode agir independente dos fatores clássicos no processo aterogênico - como tabagismo, sedentarismo e outros -, mediante observações de aumento de espessura nas camadas endoteliais. Foi apresentado também  que esses pacientes reumáticos apresentam maior calcificação em artérias do que em pacientes normais, evidenciado a relação anteriormente descrita.
    Com isso, foi descoberto que estados inflamatórios crônicos como a artrite reumatoide podem levar a um aumento na circulação de citocinas, sendo que estas estão intimamente relacionadas a disfunções endoteliais (principais maneiras de se iniciar a gênese do processo aterosclerótico), assim como podem diminuir a capacidade de vasodilatação nos vasos em relação a pacientes saudáveis.
    Ainda em relação a agentes bioquímicos nesses estudos, pode-se perceber que em um estado de inflamação persistente, mediante um aumento das citocinas circulantes e presença de auto-anticorpos (visto que a artrite reumatoide é uma doença auto-imune), há a capacidade de se gerar uma maior instabilidade na placa do ateroma, podendo levar à sua lise. Substratos de linfócitos T CD4 e T CD8 presentes em locais de placas instáveis também são encontrados em lesões causadas por artrite e, por fim, um substrato de macrófagos que é importante no remodelamento extracelular – a granzima B - é percebido tanto nas articulações acometidas em pessoas reumáticas quanto em locais de rupturas ligadas a aterosclerose, destacando a relação entre inflamação sistêmica e um maior risco de doenças cardiovasculares (Haque S, Mirjafari H, Bruce IN; 2008). 

Post feito por Matheus Silva





sábado, 23 de novembro de 2013

Homocisteína

     Ao lado de grandes pesquisas no âmbito das doenças cardiovasculares (DVC) como relacionadas à proteína-C-reativa, também estão os estudos sobre a homocisteína como um grande fator de risco cardiovascular. A homocisteína é um intermediário do metabolismo protéico e está envolvida na conversão da metionina - um aminoácido abundante em proteínas animais - em cisteína, sendo formada a partir da desmetilação da metionina (HANKEY, G.J.;EIKELBOOM, J.W., 1999).

     Diversas análises resultaram em relações passíveis entre hiperhomocisteinemia e maiores riscos na ocorrência de aterosclerose, tais como: 
  1.A homocisteína  aumenta a atividade da enzima HMG-CoA redutase, que atua na biossíntese de colesterol. Este regula a secreção de apoproteína (Apo) B100 pelos hepatócitos – única apoproteína presente na LDL, sendo responsável pela adesão desta às células. Assim,com seu aumento, irá se formar toda uma via na gênese do processo aterosclerótico; 
  2.A homocisteína também pode diminuir a expressão de mediadores endoteliais, como o óxido nítrico (NO). Como já apresentado em um post anterior, essa espécie química atua na vasodilatação; assim, com uma menor produção deste, um maior risco de enrijecimento dos vasos irá ser inevitável, favorecendo a formação da doença.
     O ácido fólico e a vitamina B12  atuam na remetilação da homocisteína; já a vitamina B6 atua na transulfuração, e sua deficiência se relacionará ao aumento dos níveis de metionina. Assim, a carência dessas substâncias no organismo aumentam grandemente o risco de hiperhomocisteinemia. 
     Ainda dentro dos fatores para o aumento da homocisteína no corpo, relacionam-se fatores fisiológicos e externos, como o aumento da idade, a menopausa, dieta rica em metionina, o tabagismo, alto consumo de café, além de predisposição genética.
      Neste post foi tratado apenas algumas compreensões fisiológicas relacionadas à homocisteína, mesmo porque nem tudo ainda está esclarecido e é considerado uma verdade absoluta. Porém, mediante os fatos apresentados, pode-se concluir que a medicina é capaz de atuar na diminuição da concentração de homocisteína mediante terapias, as quais poderão levar a menores riscos de DVC’s, pelo melhoramento das paredes endotélicas – reduzindo seu espessamento e enrijecimento. 

    Post feito por: Matheus Silva


    Fontes: 
  - Daniel Rui Diniz-Santos, Gabriela Chagas Freitas de Andrade; A homocisteína como fator de risco para a aterosclerose, p.158-164;
  - HANKEY, G.J.; EIKELBOOM, J.W. Homocysteine and vascular disease. Lancet, London, v.354, p.407-413, 1999; 
  - GUTHIKONDA, S.; HAYNS, W.G. Homocysteine as a novel risk factor for atherosclerosis. Curr. Opin. Cardiol., Philadelphia, v.14, p.283-291, 1999.

Proteína-C-Reativa (PCR)

    Dentre as principais doenças cardiovasculares (DVC) que acometem milhares de pessoas em todo o mundo, encontra-se a aterosclerose. Esta passou de uma doença crônico-degenerativa que se manifestava principalmente em pessoas de idade mais avançada para uma doença subclínica que pode estar presente já na infância.
    No processo inflamatório da aterosclerose encontra-se um marcador inflamatório, a proteína-C-reativa (PCR) , que assim, encontra-se em indivíduos que apresentam alguma DVC e, até mesmo, em pacientes aparentemente saudáveis.
    Em um nível geral, o principal órgão estimulado por mediadores inflamatórios é o fígado, que prove essenciais metabólitos para a resposta na defesa contra a inflamação. Então, os hepatócitos respondem a diversos mediadores inflamatórios, cabendo ressaltar aqui a resposta às citocinas  do tipo IL-1 – e TNF -, que é, principalmente, a produção de PCR.
    A PCR constitui a principal proteína da fase aguda da inflamação, e seu papel considerado mais importante é o de se ligar a partes da membrana plasmática de células que já se romperam – células necróticas e danificadas no processo inflamatório -, formando complexos e ativando vias que ocasionam a fagocitose dessas estruturas e consequente remoção delas da circulação, permitindo a restauração dos tecidos. Assim que ocorre um estímulo de fase aguda na circulação do indivíduo, percebe-se que a concentração de PCR aumenta rapidamente após algum dano tecidual, diminuindo assim que a lesão causada pela inflamação seja reparada.
    Assim, como maiores níveis de PCR correlacionam-se a uma maior extensão da doença aterosclerótica,  pacientes que estejam aparentemente saudáveis e que apresentam elevados níveis de PCR, tendem a ter uma maior disposição para o aparecimento de DVC’s.
    Dessa forma, a PCR constitui um grande interesse na medicina, esclarecendo novas maneiras para o tratamento de doenças de alta mortalidade no mundo presente. Para terminar este post, também gostaria de acrescentar que estudos recentes feitos por Smith e Cols apontam que exercícios de longa duração são capazes de reduzir grandemente as citocinas inflamatórias e os níveis de PCR.


   Post feito por: Matheus Silva

   Fontes:
  - Parte de tese de mestrado de Marina Pegoraro pela Universidade Federal do Paraná;
  - Mortensen RF.
C-reactive protein, inflammation, and innate immunity. Immunol Res. 2001; 24: 163-76;

  - Smith JK, Dykes R, Douglas JE, Krishnaswamy G, Berk S. Long-term exercise and atherogenic activity of blood mononuclear cells in persons at risk of developing ischemic heart disease. JAMA. 1999; 281: 1722-7.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Uma esperança? Molécula é identificada e é capaz de reduzir os níveis de gordura no sangue


Um fator de risco elevado para a aterosclerose é a hiperlipidemia. Como o próprio nome diz, é o número elevado de gorduras no sangue circulante. Uma mólecula foi identificada como sendo capaz de reduzir esse número que propicia o aparecimento de placas de ateroma nas artérias, essa molécula um segmento de RNA que interfere na produção de lipoproteínas. A descoberta foi publicada na revista Nature pelo pesquisador M. Mahmood Hussain, PhD, professor de biologia celular na SUNY Downstate Medical Center, universidade localizada em Nova Iorque. O pesquisador disse que “diminuir os níveis de lipídeos no plasma é uma meta nacional”, sendo que, segundo o próprio pesquisador, doenças cardiovasculares são as principais causas de mortes nos Estados Unidos.



Em seu artigo, o Dr. Hussain busca mostrar a relação entre a produção excessiva de lipoproteínas e o segmento de RNA. Esse segmento recebe o nome de microRNA-30c, ou simplesmente miR-30c. O miR—30c age da seguinte maneira: ele interage com uma proteína chamada proteína microssomal transferidora de triglicerídeos (MPT). A produção excessiva de lipoproteínas é dependente da MPT, sendo uma grande contribuidora para a hiperlipidemia. O miR-30c interage com a MPT fazendo com que ela tenha sua atividade reduzida, consequentemente, os números de gordura no sangue diminuem. O Dr. Hussain concluiu que uma droga que imita a ação do miR-30c possa diminuir a incidência de hiperlipidemia, e, consequentemente, a incidência de doenças cardíacas como a aterosclerose.

Seria essa uma nova esperança na prevenção da aterosclerose? Uma alternativa ao uso de estatinas? As estatinas vem sendo motivo de vários estudos envolvendo o seu uso e o aparecimento de outras doenças. A Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts realizou um estudo e descobriu que o uso de estatinas aumenta significamente (em 48%!) o risco de diabetes tipo 2 em mulheres depois da menopausa. O descobrimento de uma nova droga que previne doenças cardíacas seria uma ótima alternativa para diminuir o uso de estatinas.



Esse post foi feito para mostrar esse possível medicamento contra doenças cardíacas, um mal que afeta muitas pessoas no mundo hoje em dia e causa mortes diariamente, principalmente no mundo ocidental que baseia-se em uma dieta rica em níveis de gordura.

Até a próxima leitores,

Eduardo Pimenta


Post feito por: Eduardo Pimenta

Fontes:

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Acidente vascular cerebral e a placa aterosclerótica


  Vimos que há grande relação entre altos níveis de colesterol e acidentes vasculares, caracterizados em suma por bloqueio ou rompimento de artérias. A formação da placa aterosclerótica, como explicado em posts anteriores, ajuda a entender como todo o processo ocorre. Nesse post você descobrirá como identificar que uma pessoa está tendo um AVC e ajudar a minimizar as sequelas decorrentes da doença, bem como a bioquímica tem sido utilizada no tratamento da doença.





COMO IDENTIFICAR O AVC:

    A identificação consiste em 5 observações básicas:


- Súbito formigamento ou fraqueza em um dos lados do corpo.
- Súbita dificuldade para falar.
- Súbita dificuldade de enxergar ou visão dupla.
- Súbita dificuldade para caminhar ou perda de equilíbrio.
- Súbita vertigem (sensação de tudo girar).
 -Súbita dor de cabeça muito forte, sem uma causa aparente.

http://www.youtube.com/watch?v=fMrJygd-gmw



    Quando não é dada a devida atenção a esses principais sinais, a vítima pode ter várias sequelas ou ir a óbito. Mas há 4 passos que qualquer pessoa pode seguir afim de se evitarem complicações.

 
    
    Se for visível que a pessoa não consegue realizar nenhuma das simples ações citadas de forma efetiva, deve-se dirigir o mais rápido possível para o hospital, isso é situação de EMERGÊNCIA. Se você for a pessoa que está sofrendo de um AVC, ligue imediatamente para um serviço de emergência (SAMU-192). Se não for possível realizar esta ação, faça algo para chamar a atenção de vizinhos ou quaisquer pessoas que possam oferecer ajuda. Nessas horas, o tempo que se passa até a pessoa ser socorrida faz toda a diferença.
  
  Colesterol alto somado a outros fatores de risco aumentam muito as chances de se ter um acidente vascular, que ao contrário do que muitos pensam, pode acometer pessoas de todas as idades. Só no Brasil, em nove anos, apenas entre homens de 15 a 34 anos, foi registrado um aumento de 64% nas internações por causa do AVC. Entre as mulheres na mesma faixa etária, o crescimento foi de 41%. Sedentarismo, hábitos de beber e fumar, obesidade, diabetes, hipertensão, arritmias cardíacas são fatores que podem estar levando a população mais jovem a também ser atingida pela doença.

G_avc2.jpg

    A doença é a que mais mata em vários países, entre eles, o Brasil. É também a principal causa de incapacitação no mundo. Denominam-se AVC dois tipos de interrupção da irrigação sanguínea no cérebro: a causada por rompimento de um vaso (AVC hemorrágico) ou por seu bloqueio por um coágulo ou placa de gordura (AVC isquêmico). Em ambas as situações, os neurônios da região atingida morrem, resultando na perda da função correspondente à área. Se ocorrer na que controla a fala, por exemplo, o indivíduo pode perder essa capacidade.

Post por Danielle Salerno

Fontes:

http://www.minhavida.com.br/saude/temas/avc